doença digital..

07:55 da manhã, e eu aqui sentado, olhando para a tela do meu singelo (porém fiel guerreiro de 10 anos) computador. Pensando em que, você me pergunta? Pensando no que seriam essas minhas próximas linhas! E foi de tanto pensar (inclusive nos 10 anos do meu computador), que percebi o quanto sou dependente (físico, químico e psicológico) dessa máquina!!!

Já parou pra pensar que hoje em dia você não “acorda” realmente de manhã, sem antes de mais nada você ligar o computador? Afinal você estava dormindo, tanta coisa pode ter acontecido durante esse tempo não é? rs… Ai é aquela coisa: abre Outlook, baixa e-mail’s, loga no Orkut e lê seus scraps, volta pro Outlook, lê os e-mail’s, pula de novo pros scraps porque esqueceu de respondê-los, ai você se dá conta de que esqueceu de entrar no MSN, loga no MSN (aparecendo offline é claro, afinal não desejamos ser incomodados por alguém antes de bloqueá-lo… rs), aparecem milhares de janelas com mensagens offline do dia anterior e você nem sabe por qual começar, responde as mensagens e quando vê tem um contato seu (também offline) que te chama e começa uma conversa porque você respondeu a mensagem em off dele (rs).

Depois de tudo isso, lembra que o Outlook está aberto e que você não encaminhou (porque tenho certeza que é o que você faz, bom, eu faço) os e-mail’s cheios de mensagenzinhas de Power Point e correntes inúteis. Após todas essas mirabolantes tarefas, você finalmente sente-se “acordado” e pronto para o dia.

Agora imagine se em um belo dia você acorda, vai em direção ao seu belo companheiro eletrônico e cibernético, e quando o liga… não liga! Pois é… você tenta, tenta de novo, confere cabos e tomadas e… não liga! Você começa a suar frio, ter tremedeiras e palpitações e a se perguntar o que estará acontecendo (com o computador, é lógico, seus sintomas são meramente irrelevantes nesse momento), pois então seu computador está doente, e pelo visto você foi acometido da mesma doença, parece ser contagioso isso (rs). Quando finalmente consegue ligá-lo, sente-se aliviado, como se tivesse tomada uma dose salvadora daquela droga que tanto precisava em uma crise de abstinência (rs).

Estou conseguindo decodificar textos e mensagens que me enviam com a mesma facilidade em que uma criança dá um pulo. Coisas como tb, pq, msm e, o maldito lol – que demorei séculos pra entender – hoje não são mistérios pra mim, agora se me perguntarem sobre concordância gramatical… me poupe, pra que vou te explicar isso sendo que o Word me dá essa façanha com apenas um clique???

Gostaria de voltar ao tempo em que comunicação era algo manual, em que usávamos um instrumento antigo muito útil mas que hoje é obsoleto: a caneta! Tempo em que escrevíamos cartas, usávamos selos e enviávamos conversas de páginas escritas pelo correio. Hoje nem ao menos sei onde fica o correio, aliás, ainda enviam cartas? Nunca mais recebi nenhuma, todas as minhas cobranças, convites, avisos de casamentos e mortes me vem por email (rs). Não iria me surpreender se em algum momento eu receber esse texto que escrevi pelo hotmail ou gmail, com um título bem piegas com o bendito “ENC:” na frente. Afinal são tempos modernos, de tecnologia e da extrema dependência que temos dela.

E como sou um viciado assumido dessa tecnologia (a gente diz isso até com orgulho, inflando o peito né.. rs) provavelmente encaminharia o texto de volta a você (rs).

E nem pense em bloquear achando que é SPAM!

(Rafael W. Phenis)

mirabolantes…

Descobri nestes últimos dias que ter uma entrevista de emprego é em tudo idêntico a ter um encontro:

Na véspera já estamos nervosos e ansiosos e o sono teima em chegar, analisamos mentalmente as perguntas que nos poderão fazer e nas respostas (inteligentes) que devemos dar – a preparação é fundamental e não pode, de maneira alguma haver falhas, o mínimo detalhe pode pôr em risco toda a ‘operação’ (é como se preparar pra roubar um banco ou escalar uma montanha sem equipamentos.. rs).

Tomamos banho antes de sair de casa, lavamos bem a cabeça, escovamos os dentes, usamos o enxaguante bucal mais cheiroso que exista (porque estamos mais preocupados com não ter um bafo horroroso do que com a frescura dessa coisa de refrescancia.. rs), analisamos a cara ao espelho à procura de algum cravinho filho da …. . Passamos meia hora diante do guarda-roupa à procura da “indumentária”, para finalmente colocarmos a nossa melhor roupa e rezar desesperadamente para não parecer nem demasiado desesperado, vulgar, pudico ou excêntrico. Cortamos as unhas, sempre nos preocupando com os ataques de nervos que nos leve compulsivamente a roê-las.

Hesitamos no perfume (que por sinal foi bem caro.. rs) e na quantidade: muito enjoa, pouco nem se dá por ele. Pegamos o gel, passamos, verificamos mil vezes o cabelo e rogamos pragas ao tempo, ao vento e a tudo que nos arruíne por completo todo o tempo investido na produção.
Por fim saímos de casa a oscilar entre a confiança e o desespero.

E tal como em todos os encontros, ou regressamos profundamente frustrados, ou alegremente esperançosos. Na maioria das vezes, aposto no primeiro grupo.

Mas quem disse que não compensa tentar (mesmo gastando horas, nervos e neurônios.. rs)?

(Rafael W. Phenis)